O órgão regulador global do futebol, a FIFA, é acusado de cumplicidade institucional na empresa de assentamentos de décadas de Israel após falhar em dar prosseguimento a uma investigação prometida sobre clubes de futebol israelenses que operam dentro de assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada. As apostas são significativas: o esporte sempre carregou peso simbólico e material na vida palestina, e a legitimação de clubes de assentamentos por uma das instituições esportivas mais poderosas do mundo reforça, argumentam os críticos, a arquitetura física e legal da ocupação em terras palestinas.
O Que Aconteceu
A FIFA anteriormente se comprometeu a investigar clubes de futebol israelenses sediados em assentamentos da Cisjordânia — comunidades construídas em território palestino ocupado que a grande maioria da comunidade internacional considera ilegais sob direito humanitário internacional, incluindo a Quarta Convenção de Genebra. De acordo com relatórios do Mondoweiss, essa investigação não resultou em nenhuma ação significativa. Em vez disso, a FIFA permitiu que esses clubes continuassem operando, afiliados e legitimados pelo órgão regulador global. O número de tais clubes cresceu desde então: dez clubes baseados em assentamentos estão agora ativos na Cisjordânia ocupada, e os relatórios observam que estão se expandindo em escala e alcance.
Por Que os Assentamentos Importam sob Direito Internacional
Os assentamentos israelenses na Cisjordânia — incluindo Jerusalém Oriental — foram repetidamente declarados ilegais sob direito internacional pelas Nações Unidas, pela Corte Internacional de Justiça (CIJ) e por numerosos organismos de direitos humanos. O parecer consultivo histórico da CIJ emitido em julho de 2024 afirmou que a presença contínua de Israel no território palestino ocupado, incluindo sua política de assentamentos, é ilegal, e instou terceiros e organizações internacionais a não prestar ajuda ou assistência que sustente essa presença. Os assentamentos não são infraestrutura periférica: consomem terras palestinas, restringem o movimento palestino através de uma rede de estradas exclusivas para colonos e postos de controle militares, e são servidos pela lei civil israelense em um território onde palestinos vivem sob lei militar. Quando a FIFA registra e afilia clubes jogando nesses assentamentos, ela integra a vida do assentamento no tecido normalizado do esporte internacional.
Quem É Afetado
O impacto recai mais diretamente sobre palestinos na Cisjordânia, onde a expansão de assentamentos se acelerou nos últimos anos. Comunidades palestinas experimentam acesso restrito à terra, água e movimento como consequência direta da infraestrutura de assentamentos. O futebol palestino — uma vez um veículo de identidade nacional e recreação cotidiana — opera em um ambiente profundamente limitado: clubes enfrentam restrições de movimento, incursões e destruição de instalações documentadas por organizações incluindo B’Tselem e Al-Haq. Contra esse pano de fundo, a normalização silenciosa de clubes de assentamentos nas estruturas competitivas da FIFA representa uma assimetria que se estende além do esporte: sinaliza tolerância institucional para fatos no terreno que a sociedade civil palestina e o direito internacional há muito condenam.
O Padrão Mais Amplo de Normalização Institucional
A inação da FIFA se situa dentro de um padrão mais amplo de instituições internacionais e corporações enfrentando pressão sobre sua relação com a ocupação israelense. Organizações de direitos humanos incluindo Anistia Internacional e Human Rights Watch documentaram como atividade econômica dentro e em torno de assentamentos — de agricultura a construção a varejo — gera receita que sustenta a empresa de assentamentos. O princípio que percorre o direito humanitário internacional e, cada vez mais, através de estruturas de diligência corporativa, é que terceiros carregam responsabilidade por evitar conduta que contribui ou prolonga violações de direito internacional. Para a FIFA, um órgão que expulsou e suspendeu associações de membros por muito menos — incluindo interferência política na governança do futebol — a decisão de permitir que clubes de assentamentos joguem levanta questões apontadas sobre a consistência de suas próprias regras e valores.
O Que Monitores de Fontes Primárias Dizem
Organizações como Al-Haq e B’Tselem documentaram em detalhes como infraestrutura de assentamento israelense na Cisjordânia funciona como uma ferramenta de espoliação, limitando acesso palestino a território garantido sob direito internacional. Os relatórios periódicos da OCHA sobre a Cisjordânia consistentemente registram o deslocamento, confisco de terra e restrições de movimento que acompanham a expansão de assentamentos. O parecer consultivo de 2024 da CIJ fornece a declaração mais autorizada e recente do marco legal, abordando explicitamente as obrigações de organizações internacionais de não reconhecer ou assistir situações ilegais decorrentes de políticas de ocupação de Israel.
O Que Observar
Com dez clubes de assentamentos agora ativos e supostamente crescendo, a pressão na FIFA é improvável que diminua. Autoridades de futebol palestinas, grupos de direitos humanos e associações nacionais aliadas podem intensificar chamados para que a FIFA aplique seus próprios estatutos consistentemente. A questão de se algum estado membro da FIFA formalmente levantará o assunto — ou se a Associação Palestina de Futebol perseguirá recursos institucionais disponíveis — será uma medida de quanto impulso essa campanha alcança dentro dos corredores da governança esportiva global.
O manejo pela FIFA de clubes de assentamentos evoluiu de uma questão procedural sobre elegibilidade de clubes para algo com implicações maiores: se instituições esportivas internacionais podem ser mantidas aos mesmos padrões de não-cumplicidade na ocupação que o direito internacional cada vez mais exige de estados e corporações. Os dez clubes jogando nos assentamentos ilegais da Cisjordânia são, nesse sentido, um caso de teste que se estende bem além do futebol.
Palestinian writer and researcher documenting life under occupation, drawing on primary sources from B’Tselem, Al-Haq, OCHA oPt, Amnesty, Human Rights Watch, and named scholars.