Os Clubes de Assentamentos da FIFA e a Expansão da Ocupação

O órgão regulador global do futebol, a FIFA, encontra-se no centro de uma crise de responsabilização que se aprofunda. Após se comprometer publicamente a investigar clubes de futebol israelenses operando dentro de assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, a FIFA permitiu que esses mesmos clubes continuassem jogando — e, de acordo com relatórios da Mondoweiss, seus números cresceram para pelo menos dez. A decisão se encaixa desconfortavelmente diante do pano de fundo de décadas de consenso legal internacional: que os assentamentos israelenses na Cisjordânia constituem uma violação do direito internacional humanitário, posição afirmada repetidamente pelas Nações Unidas, pela Corte Internacional de Justiça, e por organizações de direitos humanos incluindo Anistia Internacional e Human Rights Watch.

O Que Aconteceu

A FIFA havia, em algum momento anterior a este relatório, prometido investigar clubes afiliados ao futebol israelense que estão baseados em, ou jogam em, assentamentos na Cisjordânia — território ocupado por Israel desde 1967 e reconhecido sob o direito internacional como terra palestina ocupada. Essa investigação, ou o processo que se disse fluir dela, não resultou em nenhuma exclusão ou sanção significativa. Em vez disso, os clubes permaneceram ativos dentro de estruturas afiliadas à FIFA, emprestando a esses clubes — e por extensão aos assentamentos nos quais operam — um grau de legitimidade institucional. A Mondoweiss relata que existem agora dez clubes operando na Cisjordânia ocupada, e que sua pegada está crescendo.

Por Que os Assentamentos Importam para o Direito Internacional

Os assentamentos israelenses na Cisjordânia abrigam aproximadamente 700.000 colonos israelenses e são amplamente considerados sob o direito internacional como ilegais. A Quarta Convenção de Genebra proíbe uma potência ocupante de transferir sua população civil para um território ocupado. A ICJ, em sua opinião consultiva histórica de 2004 sobre o muro de separação, e novamente em uma opinião consultiva mais ampla de 2024 sobre as consequências legais da ocupação prolongada de Israel, afirmou a ilegalidade da empresa de assentamentos. Os assentamentos fragmentam a terra palestina, restringem o movimento palestino, e são tipicamente construídos em terras apropriadas de comunidades palestinas. Quando instituições esportivas afiliam clubes enraizados nesta infraestrutura, críticos argumentam que normalizam e consolidam fatos ilegais no terreno.

Os Riscos para o Esporte Palestino

O futebol palestino e a sociedade civil palestina há muito argumentam que a presença de clubes de assentamentos dentro das estruturas da FIFA dá a esses clubes — e por extensão aos assentamentos em si — uma verniz de legitimidade internacional. Os órgãos de esportes palestinos levantaram a questão formalmente ao longo dos anos, e grupos de defesa palestina apontaram que a infraestrutura que serve clubes de assentamentos — estradas, utilidades, permissões de planejamento — é frequentemente construída diretamente às custas de comunidades palestinas que simultaneamente são negadas esses mesmos serviços e liberdades de movimento. Para jogar uma partida competitiva, jogadores e clubes palestinos na Cisjordânia rotineiramente navegam postos de controle militares israelenses; clubes de assentamentos não enfrentam tais restrições dentro do mesmo território.

O Histórico da FIFA e a Lacuna de Responsabilização

O tratamento pela FIFA da questão dos clubes de assentamentos ecoa um padrão mais amplo no qual o órgão enfrentou críticas sustentadas sobre sua resposta a preocupações políticas e de direitos humanos. A organização tem, em outros contextos, imposto sanções ou suspensões a associações de futebol por interferência governamental — mas o limite para ação onde a política estatal israelense se intersecciona com o esporte permaneceu conspicuamente alto. A promessa de uma investigação, seguida pela operação contínua, representa o que críticos caracterizam como cumplicidade institucional: emprestando a autoridade do órgão esportivo mais poderoso do mundo a uma estrutura construída em violação do direito internacional. A Mondoweiss caracteriza o resultado como FIFA “aprofundando” sua cumplicidade na ocupação.

O Que Observar

Com o número de clubes de assentamentos agora relatado em dez e descrito como crescente, a pressão sobre a FIFA das autoridades de futebol palestinas, órgãos da ONU, e organizações de direitos humanos é improvável que diminua. Qualquer decisão formal ou investigação renovada pela FIFA, bem como respostas da UEFA — o órgão regulador do futebol europeu, que supervisiona o caminho de competição europeia do futebol israelense — serão marcadores significativos. A opinião consultiva de 2024 da ICJ, que exortou estados e organizações terceirizadas a evitar dar apoio à ocupação de Israel, fornece um novo ponto de referência legal para aqueles que exigem responsabilização de instituições esportivas.

Para palestinos vivendo sob ocupação na Cisjordânia, a expansão de clubes de futebol de assentamentos não é uma questão abstrata de governança. É mais uma dimensão de um sistema que usa a infraestrutura ordinária da vida civil — neste caso, o esporte — para consolidar uma presença que o direito internacional tem consistentemente considerado ilegal.

Leia o relatório original na Mondoweiss

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